Uma mentirinha inofensiva ou uma inverdade compartilhada pode causar um estrago ofensivo na sociedade, como evidenciado pelo fatídico dia 8 de janeiro de 2023, poucos dias após a posse do presidente Lula. Um ataque à democracia brasileira foi movido por desinformação alimentada por crenças e sentimentos infundados que ampliaram a proliferação de informações falsas. Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva, 90% dos brasileiros já acreditaram em conteúdo falso, e 63% desses casos diziam respeito a propostas de campanhas eleitorais. Fora do âmbito partidário, as chamadas fake news (notícia falsa em inglês) invadem todas as áreas, desde entretenimento até a saúde, especialmente em páginas de fofocas, sem hesitar e pedir licença.
Na quarta-feira (16/10), terceiro dia da 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), o estudante do curso de jornalismo João Marcelo Barreto Silva e a professora Rejane de Mattos Moreira realizaram a oficina “Combate à Fake News”, no Instituto de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em meio a era de caos informacional, nas discussões sobre inovação tecnológica, é essencial abordar a desinformação gerada pela ascensão das redes sociais e o acesso ilimitado à internet.
“Enquanto o pensamento crítico não faz parte do consumo de mídia de uma pessoa, mais e mais vão continuar disseminando fake news”, explica João. Segundo ele, a junção das redes sociais com a inteligência artificial possibilitou a criação de uma ferramenta com grande potencial para aqueles que compartilham informações falsas. Em tempos que as crenças se sobrepõem aos fatos, confirmar e disseminar a autenticidade dos acontecimentos é um desafio até mesmo para jornalistas.
Durante o evento, João Marcelo realizou uma dinâmica em que apresentou duas notícias, e os participantes puderam debater qual delas era falsa e qual era verdadeira, discutindo os detalhes que podem ajudar a identificar a veracidade do que se lê. Utilizando o método LPDC (Leia, Pesquise, Duvide e Confirme), o oficineiro ressaltou a importância de ler atentamente o que está sendo compartilhado e de questionar as informações. Mesmo quando verdadeiras, a forma como as mensagens são interpretadas pode gerar desinformação.
Para a estudante do curso de licenciatura em Letras da UFRRJ, Eduarda Rocha, a aula foi de extrema importância para o seu ambiente de trabalho. “Às vezes, dou aulas em locais onde as pessoas não têm educação sobre fake news e conhecimento de agências de checagem, acho importante, eu, como professora, saber guiar de alguma forma os alunos a lidarem com a informação falsa”, comentou a aluna.
Laboratório de Educação Midiática
O Laboratório de Educação Midiática – EntreMídias, responsável pela oficina na SNCT, atua no curso de Jornalismo da UFRRJ desde 2018, por meio das pesquisas realizadas por estudantes e professoras. O projeto é coordenado pelas docentes Cecília Figueiredo, Rejane de Mattos Moreira e Sandra Garcia, e oferece anualmente oficinas de educação para o uso das mídias no Centro de Arte e Cultura (CAC) da UFRRJ, em Seropédica.
“O projeto tem uma forte relação e, de forma bem dissociável, com a Pesquisa, Ensino e Extensão. Pesquisa, porque ficamos durante um semestre pesquisando sobre o tema que o grupo escolhe. Extensão e ensino, porque oferecemos esses estudos em forma de oficina para um público maior, não só os acadêmicos; e de ensino porque trabalhamos com a formação dos alunos que fazem parte do projeto.”, explica a docente Rejane.
O EntreMídias já ministrou oficinas de leitura crítica de “Fanzines”, “Audiovisual e Representação”, “Cinema e Literatura”, “Videoclipes”, “Telenovela” e “Fotografia”. Em 2025.1, o Centro de Arte e Cultura da UFRRJ receberá a oficina “Da mentirinha inofensiva à Fake News”, organizada pelos alunos de Jornalismo juntamente com a professora Rejane de Mattos. As inscrições são disponibilizadas no começo do ano, e a atividade é aberta a toda a comunidade universitária.

Texto e imagens: Sthefanny Rosa – estudante do curso de Jornalismo
Supervisão: Alessandra de Carvalho – docente do curso de Jornalismo